A diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, visitou ontem a Unifor
apontado pela diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo
(ANP), Magda Chambriard, como um ponto estratégico para ancorar toda a
nova atividade exploratória que será iniciada com a 11ª Rodada de
Licitações de blocos de petróleo e gás, cujo foco são as regiões Norte e
Nordeste. Além disso, ela afirma que o Estado deve se habilitar para o
fornecimento de bens e serviços para as novas áreas de exploração e
produção. "Já tem coisa demais no Sudeste. Vamos ver o que podemos fazer
aqui no Norte e Nordeste", defendeu.
Magda esteve ontem em
Fortaleza, onde conversou com empresários na Federação das Indústrias do
Estado do Ceará (Fiec) e com o governador Cid Gomes, no Palácio da
Abolição, além de visitar equipamentos ligados ao estudo de petróleo na
Universidade de Fortaleza (Unifor). "O que o Ceará tem já instalado, com
a possibilidade portuária, etc., já é suficiente para ancorar a
atividade exploratória que vem pra cá nos próximos anos", afirmou a
executiva.
Segundo ela, o Estado "está fortemente contemplado na
11ª Rodada de Licitações", onde possui 11 blocos em águas profundas em
leilão na Bacia do Ceará, somando um total de 7,3 mil quilômetros
quadrados ofertados. Além disso, alguns dos blocos da vizinha Bacia
Potiguar também encontram-se em território cearense.
"A
perspectiva é ótima. Nós vemos oportunidades relevantes na margem
equatorial como um todo, inclusive na Bacia do Ceará, em águas
profundas", afirmou. A margem equatorial engloba bacias que vão do Rio
Grande do Norte ao Amapá.
O território cearense vem sendo visto
como um dos destaques do certame, em virtude das novas descobertas da
Petrobras na Bacia do Ceará, onde foi descoberto petróleo em seu
primeiro poço em águas profundas, além da analogia geográfica com outras
áreas da África e da América do Sul, que também vem se mostrando
promissoras. Uma dessas analogias é o campo de Jubilee, em Gana, que tem
apresentado ótimos resultados na exploração. "Nós não estranharemos se
tivermos algum Jubilee aí. E, se confirmar isso, precisamos de porto, e
um estaleiro no Ceará seria bem-vindo", sugeriu aos empresários, durante
encontro na Fiec. E acrescentou: "A 11ª Rodada está sendo por aqui, e
queremos botar encomenda de navios aqui também".
Ela afirmou que
as áreas em oferta no Ceará são vistas como "quentes", ou seja, com
forte possibilidade de arremate no leilão, mas defendeu que as
oportunidades para o Estado vão bem além disso. "O Ceará não é só as
áreas da Rodada, é um estado estrategicamente colocado, com uma
infraestrutura preparada, um porto importante, que é o Porto de Pecém,
bem no meio de toda uma área que nós vamos licitar. Portanto, um estado
estrategicamente colocado só tem a se beneficiar não somente com a
exploração e produção, como também com toda uma prestação de serviços e
fornecimento de bens para apoio a essa atividade exploratória em toda
essa margem equatorial brasileira".
Apoio portuárioDe
acordo com ela, o leilão implicará novas áreas de exploração que, por
estarem em localização marítimas, precisam de apoio portuário. Uma
infraestrutura de porto será necessária para receber as sondas que
realizarão as perfurações, os barcos de apoio, que levam às plataformas
água, comida, diesel, entre outros produtos, e que precisam também parar
em algum lugar para abastecer. "A indústria norueguesa, chinesa, dos
EUA e de outros países está de olho nessas oportunidades. E a indústria
nordestina, e cearense, também têm que se interessar".
Contratos de concessão previstos para agostoO
leilão ocorrerá nos dias 14 e 15 de maio próximo. Foram qualificadas 64
empresas, número recorde entre todas as rodadas já realizadas. O
anúncio dos vencedores se dá nestes mesmos dias, automaticamente.
Magda
Chambriard disse que pretende realizar a assinatura dos contratos de
concessão no dia 6 de agosto, quando a ANP completa 15 anos da primeira
assinatura de contratos do tipo. "No momento em que a companhia assina o
contrato, começa a fase exploratória. Portanto, vão começar a estudar a
área, analisar a aquisição de novos dados, trabalhar no licenciamento
ambiental, isso começa imediatamente. Os resultados acontecem um pouco
mais adiante".
A 11ª Rodada de Licitações ocorre cinco anos após o
último certame para oferta de blocos exploratórios de petróleo e gás no
Brasil. Desde 1999, estas rodadas ocorriam anualmente, só interrompidos
após 2008, com o anúncio da descoberta do pré-sal, ao qual se seguiram
novos estudos sobre esta área e discussões sobre divisão dos royalties,
que são compensações financeiras pela exploração das bacias.
A
rodada vai licitar 289 blocos em 23 setores, um total de 155,8 mil
quilômetros quadrados em 11 bacias sedimentares: Barreirinhas, Ceará,
Espírito Santo, Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Parnaíba,
Pernambuco-Paraíba, Potiguar, Recôncavo, Sergipe-Alagoas e Tucano.
O
leilão funcionará no modelo de concessão, no qual as empresas
vencedoras possuem compromissos de investimentos mínimos em determinados
prazos. "O grupo empresário precisa se comprometer com o bônus de
assinatura, que ele paga para assinar o contrato, ele precisa se
comprometer com o Programa Exploratório Mínimo (PEM), ou seja, não basta
comprar área, há uma obrigação de investir dentro de um certo prazo, e
também tem que se comprometer com a aquisição de uma parte de bens e
serviços da exploração e produção na indústria brasileira. Tudo isso é o
pacote da concessão", explica a diretora-geral da ANP. No caso da Bacia
do Ceará, o bônus de assinatura varia entre R$ 4,6 milhões e R$ 8,4
milhões.
Outras rodadasA ANP também
realizará outros dois leilões este ano. Em outubro e novembro, será
realizada a 12º Rodada de Licitações, no qual serão ofertadas áreas em
terra para exploração de gás natural. "O gás agora está na moda", diz
Chambriard. O Ceará, contudo, não estará contemplado nas áreas a serem
ofertadas. Também em novembro, será realizado o primeiro leilão do
pré-sal.
A executiva destacou que, segundo estudo do BNDES, o
Brasil investirá R$ 354 bilhões no setor de petróleo e gás, no período
de 2012 a 2015, o que representa 63% de todos os aportes na indústria.
Além disso, com informações dos planos de negócios da Petrobras,
estima-se que, nos próximos dez anos, a demanda por bens e serviços no
setor atinja US$ 400 bilhões. (SS)
Unifor parte na frente com incentivo à pesquisaA
diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, visitou ontem a Universidade de
Fortaleza (Unifor) e ficou impressionada com a estrutura do Núcleo de
Tecnologia da Combustão (NTC), um laboratório de pesquisa voltado para o
desenvolvimento de projetos de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP ou gás
de cozinha).
"Ver um equipamento como este em funcionamento é
tudo que nós desejamos, pois, antes, a expertise da pesquisa em petróleo
ficava restrita à Petrobras. Então, 15 anos depois da quebra de
monopólio (da Petrobras), é muito gratificante ver uma universidade como
a Unifor fazendo esse tipo de trabalho com seus estudantes", ressaltou
Magda Chambriard.
Recepcionaram a diretora-geral da ANP, o
superintendente da Nacional Gás, Edson Queiroz Neto, a reitora da
Unifor, Fátima Veras, e o coordenador da graduação tecnológica em
petróleo e gás da universidade, Roberto Menescal. O senador da República
Inácio Arruda (PC do B-CE) também estava presente.
A reitora
destacou ainda que o investimento em tais equipamentos é muito
importante para o desenvolvimento de profissionais preparados.
"O
objetivo da universidade é a qualidade. E nós entendemos que, para que a
gente possa se destacar no cenário nacional, é preciso formar
profissionais com qualidade e que atendam às demandas do mercado, então,
para isso, é preciso que a gente aparelhe bem a universidade", afirmou.
"Essa meninada é muito inteligente, é preciso dar chance para eles
mostrarem isso. Se eles saírem daqui sem praticar, não vai valer de
nada", destacou o professor Menescal. "É preciso canalizar a
proatividade desses jovens para o bem", respondeu a diretora-geral da
ANP.
PioneirismoO NTC já existe há 12
anos, sempre sob a coordenação do professor Roberto Menescal, e foi o
primeiro laboratório de pesquisa do País na área de GLP. Atualmente, o
núcleo conta com uma parceria com a Nacional Gás, líder do segmento no
Ceará.
Com a ajuda da empresa, alunos da Unifor participam do
núcleo tecnológico desenvolvendo produtos industriais voltados para a
área.